Decepcionante, mas esperado. São as duas palavras que melhor caracterizam o julgamento da queda da ponte de Entre-os-rios. Desde o princípio que os intevenientes no processo vaticinavam este desfecho. Estive lá no princípio do julgamento e no ar pairava esse mesmo sentimento. Seguir-se-ia um longo e dispensável caminho para no fim terminar no rotundo NADA sem consequências. Aos vivas dos causídicos da defesa, assoma-se-me algumas dúvidas. Não havia relatórios feitos? Não havia inspecções realizadas? Duas semanas antes da queda não tinha havido um corte da ponte pelos locais que só não foi para Tribunal porque seria escandaloso depois da ponte Hintze Ribeiro cair.
Quem tinha poder para decidir não decidiu. E quem não decidiu devia responder por isso. Mas mais uma vez no nosso País, para os nossos governantes a lei é diferente da que é aplicada ao cidadão comum. Parece que ao contrário do que Jorge Coelho disse, a culpa vai mesmo morrer solteira e a memória da morte de 59 pessoas será recalcada até que a ninguém pese na consciência.
Tudo isto não teria importância não fosse a morte dos que naquele dia não poderam contornar a incompetência de quem governa e dos familiares que ficaram perdidos no meio da dor de uma perda irrecuperável.
21.10.06
A segunda tragédia
publicado por
Joao
•
14:41
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