14.9.07

GRANDE PALMADA

publicado por Silvio Vieira





7.12.06

Pornografia

publicado por Joao

"Os seres humanos, homens e mulhres, sentem excitação e desejo ao verem um acto sexual praticado por outros. Sobretudo o homem, porque (filigeneticamente) há-de ser mais activo e portanto ir à procura também da mulher que se está a juntar com alguém para lha subtrair. A tendência para obter prazer observando as relações sexuais dos outros é chamada voyeurismo e julgada de maneira negativa, porque é considerada uma preversão. Trata-se, pelo contrário, de uma tendência universalmente difusa.... A maioria das pessoas não tem, na vida real, muitas experiências de sexualidade promíscua, de orgias. Hoje, porém, exprimenta-as com frequência cada vez maior através da pronografia..... A pornografia é utilizada cada vez mais por casais que fazem amor enquanto olham a cópula de outros, identificando-se com eles e exprimentando a promiscuidade ".

Francesco Alberoni, in Sexo e Amor

Aborto

publicado por Joao

Chegou a altura de acabar com as hipocrisias. Um dos movimento pelo "não", "Mulheres em acção", liderado por Alexandra Tété, afirma que são contra o termo "despenalização" que dizem ser sinónimo de liberalização e que a nova lei levará à vulgarização do aborto. Ou seja, defendem que a pergunta aceite pelo Tribunal Constitucional abre a possibilidade de até às dez semanas qualquer mulher em qualquer situação o poder fazer livremente. E tem razão a meu ver.
Agora, não se pode defender isto e continuar a dizer que as mulheres não devem ser punidas judicialmente. Porque uma coisa não é congruente com a outra. Se achamos que eticamente uma coisa não é válida, não podemos depois assumir a postura "do somos contra, mas as mulheres são vítimas". Porque se constitui um crime, tem de haver punição. Senão continua tudo como está. O sol tapado com uma grande peneira.
Os apoiantes do "sim" não se devem esconder atrás do termo "despenalização" para não assumir que levará à à tal liberalização que Tété fala. Sem medo, se é por convicção.




15.11.06

BORAT IS FUCKIN HEAVY METAL

publicado por Pedro

Veigarista

publicado por Joao

Depois de ser arrestado em directo na TVI, Veiga foi fazer a sua despedida do SLB na televisão. Mas o ex-funcionário da loja do FCP no Luxemburgo pensou que não poderia fazê-lo sem deixar a sua marca com mais uma pérola linguistíca. Com a lágrima no canto do olho, disse: "Portugal não é um país de construção mas de destrunção". Veiga vai fazer falta ao País e ao Mundo... vou ter saudades.




14.11.06

Galos

publicado por Joao

O caso da Lota de Matosinhos ainda mexe. Desta vez Narciso acusa o funcionário da distrital do PS Porto Domingos Ferreira, de o difamar. Alega que este disse aos jornais que Narciso tinha contratado capangas para organizarem o que depois se passou na Lota, com o ojectivo de Seabra não chegar perto de Sousa Franco.
Em resumo este caso é uma luta de galos, que antigamente se resolvia ao tiro e agora com a Democracia passou para os tribunais. O que fazem é emperrar o sistema de justiça com estas questiúnculas e depois arrogam-se de grandes "republicanos".
Não se admirem se um dia ainda encontrarem estes senhores na televisão a falar da lentidão da Justiça. Pudera....




13.11.06

Imagens

publicado por GO

Nas vésperas de uma visita nunca concretizada a uma exposição do World Press Photo, confessaram-me a admiração pelo projecto, “ainda que só a desgraça fosse premiada”. Ficou por esclarecer se a observação era uma advertência moral ou se se tratava de uma provocação jornalística.

Depois de ver a exposição deste ano, e após viajar por um mundo que nem sempre quero acreditar que é o meu, relembrei a observação. Apesar das belíssimas imagens que pairam para lá de catástrofes, revoluções, explosões ou doenças, as fotografias mais marcantes são naturalmente as que retratam “a desgraça”. Mas penso tratar-se de um dos mais nobre actos de humanização da imagem: é suster um fragmento dessa “desgraça”, colocá-lo perante o olhar e esperar que o estômago ceda ao nó. A sensibilização é a última esperança para esse instante de “desgraça”.

World Press Photo avulso:

























Fotógrafos (por ordem): Ben Curtis; David Guttenfelder; Rodrigo Abd; John Mabanglo; Kieran Dodds; Pieter Hugo; Christopher J. Capozziello; Paolo Pellegrin; David Høgsholt; Massimo Mastrorillo; Lucian Read; Edmond Terakopian; Finbarr O’Reilly.




10.11.06

Falha técnica

publicado por Joao

O ataque que matou 18 civis na Faixa de Gaza foi considerado pelo primeiro-ministro Ehud Olmert foram uma "falha técnica", "um erro". Como o programa da Euronews "No comments".

Bradley

publicado por GO


Escreve a Wikipedia sobre Ed Bradley, histórico jornalista da CBS: "Over the course of his career, Bradley received the Emmy Award 19 times; a Peabody Award for his African AIDS report, "Death By Denial"; a Robert F. Kennedy Journalism Award; and the Paul White Award from the Radio and Television News Directors Association.[1] He was married to artist Patricia Blanchet and had homes in Woody Creek, Colorado, and New York City, New York."

O jornalismo e Patricia ficaram mais sós desde ontem.

De Borat aos Gatos ou da Rússia ao Porto

publicado por Joao

Episódio 1- O filme em que Borat parodia o Cazaquistão com frases como: "Apesar de uma nação gloriosa, o Cazaquistão também tem problemas com: a economia, a delinquência e os judeus", foi proíbido de passar na Rússia. O governo argumenta que dado o teor "insultuoso" é uma atitude responsável não passar o filme. Uma das bases do humor é caricaturar exagerando e só as democracias sólidas e com abertura de espírito estão preparadas para o enfrentar. Incrível é os governos russo e cazaque não perceberem que a censura é a melhor promoção para Borat.

Episódio 2- Os Gatos Fedorento no passado domingo apresentaram um sketche genial sobre a "História da história nunca contada da vida de Pinto da Costa". Esta semana a RTP deixou de poder entrar no centro de estágio do Olival onde a equipa azul-e-branca treina. Apesar de não haver confirmação oficial houve quem estabelecesse uma relação de causa- efeito. A confirmar-se o motivo, é estranho que PC um dos maiores comediantes (no bom sentido da palavra) nacionais, tenha tanto falta de humor.

Água

publicado por Joao

Actualmente há no mundo mil milhões de pessoas que não têm acesso a água potável, ou seja, cerca de um sexto da população mundial. Brutal? Na teoria sim, mas não faço ideia do que isto significa na prática. Só ouço falar em OPA's, investimentos, lucros da banca, medidas de contenção....




8.11.06

da Bebida

publicado por GO




6.11.06

Pioneiro

publicado por Joao

Numa medida que já não apanhou ninguém de surpresa, Rui Rio na sua obstinada cruzada contra o despesismo tomou uma decisão pioneira. Anunciou que vai congelar o seu vencimento por tempo indeterminado. É mais um passo rumo ao reequilibrio de contas da Câmara Municipal do Porto. Viva a racionalidade...




3.11.06

Entrevista sobre Pinto da Costa numa televisão holandesa

publicado por GO




1.11.06

De bons rapazes está o desemprego cheio

publicado por Joao

Percebo que o futebol é um mundo complicado e que a máxima de Pimenta Machado é uma verdade universal. Mas aí uns quantos miúdos a abusar porque para além "do que hoje é verdade amanhã é mentira" adoptam outra forma de estar muito boa que é "mais vale parecer do quer ser".
Ontem, Rikaard mostrou que por detrás da mquilhagem de gentelman, há também um grande arrivista e a classe caí quando as coisas não correm bem. No final do jogo com o Chelsea, o técnico do Barça não resistiu a correr disparado para o árbitro, que apesar de não ter estado bem no plano disciplinar não errou nos lances capitais. Mas o holandês muito fleumático na conferência de imprensa antes do jogo, não respondendo às questões do provocador Mourinho, mostrou não ser muito diferente do congénere português.
Também muito bom, é o comportamento de Jesualdo Ferreira não deixou a sua SAD a falar sozinha e como qualquer bom lambe botas deixou de lado os seus princípios de desportivismo e frases bonitas como "eu só falo de futebol". Disse que tal como Fernando Santos em relação a Miccoli, também ele com Anderson tinha tido uma "premonição de que não acabaria o jogo". Que pensa que foi falta e que faltou o cartão amarelo pela dureza da entrada de Katsouranis. Só não disse que ele era grego e que toda a gente sabe que os gregos são danados para a pancada. Mas aí a educação de Jesualdo já não lhe permite ir, porque ele até só deve ter falado do caso de Anderson quando foi picado pelos jornalistas.




31.10.06

Dores de cabeça

publicado por GO

Antonin sentia-se indisposto sempre que entrava numa igreja. O mal-estar era físico: uma dor de cabeça instantânea, persistente, só dissipada minutos após abandonar as paredes de culto. Nunca se questionou muito sobre a situação, mas, se pudesse, evitava as igrejas.

Uma noite, a namorada desviou-o para uma praia. Antonin reflectiu erradamente sobre a natureza da proposta: tratava-se exclusivamente de um desadequado capricho feminino – a namorada queria conhecer uma igreja mística de que tinham ouvido falar, encostada junto às ondas e suspensa em areia escura. Contava-se que esta igreja era um dos cinco portais do inferno existentes em todo o mundo, por estar de costas para o mar. "E todas as igrejas verdadeiramente cristãs têm a entrada virada para o mar, não de costas, como esta", ouviram um dia.

Também tinham escutado outrora que as bruxas reconheciam na igreja a pertinência pagã: esporadicamente, parece que se deslocavam para o local, onde realizavam cerimoniosamente o que o imaginário colectivo designava “feitiços”. Certo é que Antonin não deixou de reparar em imensos pastéis de cera queimada espalhados pelas rochas que circundavam a igreja. Pensou em mulheres vestidas de negro envoltas em belíssimos rituais e imaginou ver-se incluído num. Gostou.

Findas as divagações intelectuais por vultos misteriosos, Antonin centrou-se na visita. Começou a subir as escadas de pedra que iam dar à entrada da igreja – estava situada numa espécie de palacete erguido na areia – e sentiu de imediato o inconveniente mal-estar que o tomava sempre que entrava dentro das igrejas. Mas, desta vez, nem sequer foi preciso entrar. A namorada apercebeu-se da súbita indisposição e tomou momentaneamente Antonin nos braços. Decidiram ir tomar um café e esquecer a visita. Abandonaram a praia.

No dia seguinte, Antonin e a namorada contaram o episódio a alguns amigos. Estrategicamente, Antonin preferiu omitir a constância do desconforto sempre que visitava igrejas. Disse apenas que se sentiu indisposto assim que começou a subir as escadas de pedra, tal era a náusea que o espaço lhe provocava. Ivan, um dos amigos presentes – muito respeitado no círculo pelo profundo conhecimento místico que possuía -, disse que Antonin era “uma alma pura, daí o mal-estar súbito em solo maldito”. “Diante do mal, acontece sempre o mesmo às almas brancas”, fez questão de sublinhar.

Antonin não quis abalar a fé do amigo e não lhe contou que sentia o mesmo em qualquer igreja - nesta, apenas não precisou de entrar, já que a proximidade foi suficiente. Não o fez por boa educação, por soberba religiosa ou por abnegação católica (seria uma heresia pôr as igrejas em paralelo com o inferno): fê-lo para a namorada afinar a natureza dos desvios nocturnos para a praia – ele era puro, mas ela não precisava de ser.




30.10.06

Negócio

publicado por GO

Ivanovanovitch tinha o desejo de pactuar com o Diabo. Sempre que lhe contavam histórias bíblicas, sabia perfeitamente distinguir entre o lado bom e o lado mau. O seu favorito era Deus, mas a razão há muito que lhe iluminava a verdade: o melhor amigo em vida é o Diabo - é o mais dado a concretizar fantasias humanas.

Não queria poder, dinheiro, mulheres - enfim, não lhe interessavam as bazófias do costume. Convocou o Diabo, que lhe apareceu, e disse-lhe que queria protecção para fazer bem às pessoas. Sonhava revolucionar o rumo de cada um dos conflitos mundiais e, inatingível, ajudar os fracos e deixar as armas matar-se entre si. Assim, pediu ao Diabo imortalidade até à velhice – Ivanovanovitch propunha o 75º aniversário como instante da morte.

O Diabo aceitou a proposta, ainda que tenha achado Ivanovanovitch um anjinho desequilibrado; em troca, o rival de Deus pediu ao homem a alma – era um Diabo sem grande imaginação -, explicando que Ivanovanovitch iria arder eternamente no Inferno mal acabasse a existência terrena.

Deus não foi convocado para o encontro – era melhor não. Nunca, mas nunca se falou no Divino durante a negociação, para não criar desconfortos de poder.

Ivanovanovitch ficou fora de si com o sucesso nas negociações. E, por cada uma das vidas que salvou posteriormente – mau em contabilidade, nunca enumerou o balanço -, deu graças a Deus por Este ter pensado no Diabo. Mesmo que arder doesse um pouquinho mais do que tinha imaginado.

Inverdades como alguns dizem

publicado por Joao

"Há menos de dois anos, a 11 de Dezembro de 2004, em plena pré-campanha eleitoral, José Sócrates foi a Castelo Branco garantir a 1.500 apoiantes do PS: «Caso seja eleito, as auto-estradas sem custos para o utilizador, as SCUT, vão permanecer sem custos». Até porque, recordou Sócrates, essas vias foram «obras socialistas» e «não seria agora que, pela mão do PS, as portagens se iriam tornar uma realidade para os utilizadores»".

Mais tarde, o já primeiro-ministro Sócrates atacado, defende-se da seguinte forma:

«Tenho visto aí, nos últimos dias, uma enorme mistificação, pretendendo dizer aos portugueses que o Governo, afinal de contas, está a faltar ao cumprimento de uma promessa eleitoral. Por mil vezes que repitam essa mentira, ela não se transformará numa verdade».

Já na discussão do OE para 2006, Sócrates disse:

«todas as SCUTS se pagam a si próprias, em termos orçamentais. As receitas a que dão lugar são superiores aos custos. E, portanto, o argumento de que se trata de um encargo pessadíssimo é só para gente leve».*

* trechos do texto de José António Lima no "Sol" de 28.10.06




25.10.06

do Talento

publicado por GO

Ilianov desejava escrever uma história que começasse pelo fim e que terminasse no início. Queria que o fim inicial fosse perturbador, que o leitor estranhasse a ilógica temporal durante os primeiros instantes de leitura e que se deixasse definitivamente surpreender pelo início final – a revelação definitiva.

Ilianov agradeceu a gentileza da imaginação, ainda que lhe faltasse a essência da narrativa – não sabia como adensar o que esboçou. Optou por um fim inicial focado na descrição de um homicídio brutal e misterioso, em que o assassino é revelado desde logo; o leitor, por sua vez, tinha que saber lidar com esta falsa revelação e, posteriormente, com a ambiguidade do desenlace. Quanto ao início final, e após meses de constante indefinição, surgiu-lhe a profundidade que tanto procurava: um novo homicídio, em que o assassino do fim inicial é morto pelo personagem que assassinou.

Ilianov sorriu - a história não fazia o mínimo sentido desta forma, sem qualquer álibi intelectual. Resolveu facilmente o problema: convenceu-se que o texto era sobre fantasmas e vingança, mas não considerou adequado retocar o enfoque que traçou até então. Os críticos adoraram quando ele explicou isso numa entrevista e elogiaram imenso a cadência mística do livro, que foi adaptado ao cinema um ano após a edição.

Ilianov compreendeu (assim pensou): um livro é bom desde que seja justificável. Morreu convencido dessa verdade. Morreu ignorante.

Respeito

publicado por Joao

Entrevista de Jaime Pacheco ao Jornal Record de 22.10.06

Record - É fundamental ser o treinador a escolher o plantel?

Jaime Pacheco - Defendo que sim, reconhecendo que no contexto nacional é difícil consegui-lo, principalmente por questões financeiras.. Tive a sorte de, em conjunto com os dirigentes dos clubes, ter conseguido fezê-lo sempre, à excepção de um caso.

Record - Que foi....

Jaime Pacheco - A minha derradeira pasagem pelo Vítória de Guimarães. O plantel não foi escolhido por mim. Mesmo que me custe a inactividade, isso não voltará a repetir-se. Se me contactarem, já sabem que essa é uma questão de princípio. Se não quiserem assim, abdico do lugar e vou à minha vida. Sou um treinador com folosofia própria, seriedade, e resultados suficientemente experssivos, para usufruir do meu espaço e ter liberdade incondicional para formar o plantel.

O fim desta história é público. Pacheco está de regresso ao Boavista, para a terceira passagem, e na terça-feira já não se lemabrava do que tinha dito na semana anterior. Homem vertical e de convicções. Mas não faz mal. É futebol e já se sabe que um ano sem ganhar tostão, se não mata, mói. O que faz mal é o nosso Governo dizer no show de uma campanha que "os impostos não vão aumentar", "que as SCUTS não vão ter portagens" (e não venham dizer que não e que o programa do Governo já o previa, porque o povo pode dormir mas não é estúpido). Isto é grave. São mentiras. Quem as diz é mentiroso. Subverte as regras do jogo democrático. E piora a vida dos seus concidadãos. Não é futebol. Não é entretenimento. É a vida das pessoas. Respeito por favor.




23.10.06

do Vazio

publicado por GO

© Patrick Hübschmann • ELECTROSPHERE

Dmitri suspendeu a realidade. A dele. Chorou de desilusão: não havia nada a suspender.




21.10.06

A segunda tragédia

publicado por Joao

Decepcionante, mas esperado. São as duas palavras que melhor caracterizam o julgamento da queda da ponte de Entre-os-rios. Desde o princípio que os intevenientes no processo vaticinavam este desfecho. Estive lá no princípio do julgamento e no ar pairava esse mesmo sentimento. Seguir-se-ia um longo e dispensável caminho para no fim terminar no rotundo NADA sem consequências. Aos vivas dos causídicos da defesa, assoma-se-me algumas dúvidas. Não havia relatórios feitos? Não havia inspecções realizadas? Duas semanas antes da queda não tinha havido um corte da ponte pelos locais que só não foi para Tribunal porque seria escandaloso depois da ponte Hintze Ribeiro cair.
Quem tinha poder para decidir não decidiu. E quem não decidiu devia responder por isso. Mas mais uma vez no nosso País, para os nossos governantes a lei é diferente da que é aplicada ao cidadão comum. Parece que ao contrário do que Jorge Coelho disse, a culpa vai mesmo morrer solteira e a memória da morte de 59 pessoas será recalcada até que a ninguém pese na consciência.
Tudo isto não teria importância não fosse a morte dos que naquele dia não poderam contornar a incompetência de quem governa e dos familiares que ficaram perdidos no meio da dor de uma perda irrecuperável.

O Saddam das Beiras

publicado por Joao



O último Prós e Contras foi cheio de pérolas. Retive uma de Fernando Ruas, que na acelerada e virulenta troca de argumentos com António Costa disse: "Já me chamaram Saddam das Beiras mas nunca mandei matar ninguém". Palavras para quê não é um artista português, mas um autarca lusitano.




17.10.06

Figuras de estilo

publicado por GO

Antolin era um palhaço de corpo: fingia sorrisos em palco, tropeçava e rolava no pó, para agonia da sua alma e delírio imbecil dos sorrisos fáceis. Tinha a fantasia de bailar, cuspir a dor em movimentos inquietantes e belos, de hipnotizar a tristeza em desarmonias catárticas. Nunca o fez para ninguém, nem para si mesmo. Um dia, experimentou bailar durante uma palhaçada – o público riu ostensivamente. A genuidade fez dele um palhaço competente, mas tornou-lhe a tristeza indizível. Antolin foi um filósofo de coração: morreu de antinomia.

Convulsão

publicado por GO


© Martin Gommel, kwerfeldein photography.

das cartas

publicado por GO



CARTA A FÁTIMA

Lembras-te Fátima? era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? quem se lembrará de mim? se nem tu já te lembras de mim agora, tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes...

Luiz Pacheco

O energúmeno

publicado por GO

A notícia que abaixo se reproduz saiu hoje no Correio da Manhã e pode ser encontrada aqui. É fundamental constatar o adjectivo encontrado pelo jornalista - e não estou a falar do "vândalo" - para descrever um dos personagens da peça.

Destruiu cemitério
GNR detém vândalo

O suspeito da onda de vandalismo que varreu o cemitério paroquial de Âncora, Caminha, na noite de sábado para domingo, já foi detido pela GNR em Moledo, ao final da tarde de domingo, anunciou ontem aquela força de segurança.

Trata-se de um indivíduo de 31 anos, de nacionalidade uruguaia e a quem o Tribunal determinou a prisão preventiva.

O suspeito, com residência em Espanha, foi detido inicialmente com um veículo que tinha roubado pouco tempo antes e acabou por confessar aos militares da Guarda os actos de vandalismo que praticara no cemitério de Âncora.

Alegou que actuara sozinho e “por desígnios de seres naturais com quem mantinha contactos”. O suficiente para o próprio Tribunal determinar que lhe seja dado apoio psiquiátrico.

No entanto, o vandalismo ao cemitério não é o único acto desta natureza que praticou e o energúmeno foi reconhecido também pelos vigilantes de uma pedreira perto do local, onde destruiu máquinas de sandes e de café, um camião e o comando de uma serra de pedra.

O cemitério de Âncora, como o CM ontem noticiou, foi profanado e vandalizado na noite de sábado para domingo, tendo aparecido 204 sepulturas destruídas, o que deixou chocada a população local, tendo o pároco da localidade, Fernando Loureiro, classificado o acto de “do mais puro e vil terrorismo”.

Há cerca de 15 dias foi registada uma ocorrência idêntica em Vigo, Espanha.
Falcão-Machado com Lusa




12.10.06

das ruas

publicado por GO

Quando uma mulher vistosa passava na rua, ele não olhava para o corpo dela como os semelhantes faziam; preferia vigiar o olhar dos homens a desviar-se uniformemente em direcção à mulher. Ele era assumidamente um voyeur.




10.10.06

do Saber

publicado por GO

Aprendeu muito cedo que os livros continham o saber; aprendeu mais tarde que o saber estava presente em doses diferentes nesses mesmos livros. O que nunca aprendeu é que o saber resulta de manipulações da retórica. Foi por isso que acreditou em todo o saber que leu e deu em louco – endoideceu por entre tantas contradições intelectuais. No fundo, não era um sábio.

Nobel

publicado por GO


É preferível subsidiar o emprego do que subsidiar o desemprego, que é o que todos os governos fazem.
Edmund Phelps